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Evil West - Análise


Em uma época de extremos, às vezes precisamos de uma obra que cumpre o que se propõe a fazer, mesmo que o objetivo seja mais simples, direto e nada revolucionário. Evil West é isso: diversão descompromissada. É um tipo de jogo não tão comum atualmente, que não é mundo aberto, não tem dezenas de sistemas diferentes e não almeja ser o que não é com conteúdo secundário para inflar a duração, e, apesar de alguns deslizes, tem sucesso em te entreter ao longo de sua campanha sangrenta e cheia de clichês e exageros, ocasionalmente lembrando um jogo de PS3/Xbox 360 no bom e no mau sentido.

Era uma vez no oeste


Evil West é um jogo sobre um cowboy matando vampiros e lobisomens, o que sozinho já seria suficiente para te deixar interessado na ação, mas o jogo vai além e tenta contar uma história que, apesar de esquecível e muitas vezes boba, te fisga pelo visual das ótimas cutscenes. Nós jogamos com o canastrão Jesse Rentier (e eu tive que pesquisar seu nome, porque ele é um personagem deveras esquecível) que trabalha para um organização secreta cujo intuito é defender o país da ameaça dos vampiros. O game tenta colocar algum peso dramático com o Pai do protagonista (que é o líder da organização), mas a trama nunca convence ou te faz se importar com ela, servindo apenas de pano de fundo para o combate brilhar. Os personagens secundários também não têm uma presença marcante e são apenas ferramentas para fazer a história avançar. No fim, a narrativa é a última coisa que importa em Evil West e não é o que te mantém engajado no decorrer da campanha.


Sangue, revólver e tripas


O foco e a força de Evil West certamente são seu combate. Enfrentar criaturas não é muito complexo, mas traz variedade o bastante para não cansar ao longo da campanha. No início, devido à limitação do seu arsenal, lutar contra os inimigos não chega a ser muito empolgante, mas conforme novas armas são introduzidas e a quantidade de inimigos novos cresce, isso começa a mudar, criando situações tensas onde você tem que utilizar todas as ferramentas ao seu alcance a fim de progredir.

A variedade de inimigos não é muito alta, mas o jogo faz um bom trabalho em apresentá-los durante a campanha, sempre trazendo um ar de novidade quando um tipo específico de inimigo começa a ficar batido. Encontramos desde zumbis até vampiros, monstros e criaturas que parecem ter saído direto dos contos de H.P Lovecraft.


Evil West traz um combate corpo a corpo que lembra muito God of War - e as semelhanças não param por aí, já que tanto a movimentação do personagem quanto a exploração lembram bastante a dos jogos mais recentes do Fantasma de Esparta. Bater nos inimigos com os punhos é sua forma primária de causar danos, mas você também tem um arsenal grande de armas como revólver, escopeta e carabina, que são usadas mais em situações específicas.


A carabina é usada para acertar inimigos a distância e atirar em pontos fracos das criaturas; a escopeta, para curta distância com alto dano mas grande tempo de recarga; e o revólver, para acabar com inimigos mais fracos ou causar dano enquanto as outras armas estão indisponíveis. Há um ritmo muito interessante no combate que consiste em alternar entre suas armas e causar dano corpo a corpo para quebrar a defesa do inimigo, esquivar de forma ágil sempre considerando seu posicionamento e também realizar finalizações, que são muito violentas e satisfatórias. O cenário também serve como artifício estratégico, oferecendo desde estruturas de espinhos que podem ser utilizadas para arremessar os monstros até caixas explosivas que podem salvar sua vida quando o combate ficar apertado.

Outra grande adição ao seu repertório é a eletricidade que remete a Nikola Tesla. Com ela, você pode criar um escudo elétrico que serve como parry para desestabilizar os inimigos e desferir vários socos rápidos em sequência, ou para se deslocar até eles de uma maneira quase instantânea, funcionando como um chicote elétrico. Os inimigos menores ficam paralisados com qualquer ataque elétrico, mas os maiores são mais resistentes, o que mesmo assim não invalida a utilização desses ataques. Quando a barra de energia estiver cheia, você pode usar uma habilidade especial ou entrar em um estado de fúria que gasta toda a barra mas te dá super força e velocidade.

A exploração do jogo é bem guiada, mas isso não é um detrimento, já que ela é apenas usada como um respiro entre as arenas de combate e as passagens belíssimas ajudam a não deixar a travessia pelos cenários monótona. Visitamos quase todo tipo de bioma e ambientação temática de obras do velho oeste, desde minas de carvão, florestas de pinheiros, cânions e montanhas de neve até cidades da época.


Evil West é bem linear e sempre deixa claro qual caminho seguir, mas os mapas são repletos de segredos, alguns estando atrás de madeiras que você precisa destruir com soco ou explodindo caixas de TNT. Esses segredos são geralmente dinheiro, que é usado para melhorar as armas; cosméticos que alteram a skin das suas roupas e armas; e documentos, que te contam mais sobre a história do jogo. Nada é muito difícil de se achar, sendo uma boa distração, o que não pode ser dito de alguns quebra-cabeças do jogo, que são chatos de se fazer e pouco desafiadores. Conforme você avança no game, essas ações começam a ficar repetitivas, geralmente envolvendo empurrar algo, atirar em uma corrente ou explosivo ou eletrocutar sua manopla e correr até um disjuntor até o tempo acabar. São coisas que não acrescentam em nada e poderiam facilmente ser substituídas.

Oeste problemático


A parte técnica do jogo não é das melhores. Ele prioriza 60 fps mas tem algumas quedas, e a resolução sofre muito, mas tudo isso é aceitável, diferentemente dos bugs que atrapalham muito. Em duas ocasiões o áudio de uma explosão causou um ruído que só passou no final da fase após entrar uma cutscene. Outro bug grande foi quando fiquei preso no chão durante uma luta contra um chefe e tive que terminá-la sem conseguir me mexer, somente atirando de longe (felizmente, após a luta, a missão acabou e foi direto para outra cutscene). Cair pelo cenário é algo comum, pois na batalha final, o boss ficou com metade do corpo atravessado no chão durante a primeira fase toda. Esses não são problemas indesculpáveis, já que atrapalham diretamente a experiência e espero que sejam corrigidos em breve.


Veredito:


Evil West não fará você refletir sobre seus temas nem lembrar de seus personagens. É um jogo para desligar o cérebro e se divertir matando monstros com um combate prazeroso enquanto aprecia belas vistas. É um jogo simples, e nessa simplicidade que mora seu charme, e também onde mora seus problemas, seus quebra-cabeças não são divertidos e os bugs atrapalham muito. Falta polimento em Evil West, tem várias partes desnecessárias e uma história clichê, mas no fim, matar vampiros nunca deixou de ser divertido, e para a proposta do jogo, é isso que importa.



Análise feita por Gustavo (Ceythian) com cópia cedida pela Focus Home Interactive

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