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Jusant - Análise


Comecei a escrever sobre Jusant logo após terminar o jogo. Resolvi falar dele com a experiência fresca na minha cabeça. Com ele sendo um dos melhores jogos que joguei em 2023. Pode ser que essa percepção mude, óbvio, mas eu achei essencial falar dele agora.


Desenvolvido pela Don't Nod Entertainment, mesma criadora de Life is Strange, Jusant veio para abrilhantar um ano já entupido de grandes jogos. Se enganou quem pensou que ele seria ofuscado pelos vários lançamentos de 2023, que parece ter aglomerado tudo que a pandemia atrasou. Existe uma belíssima jornada aqui e eu quero falar um pouquinho dela.


Eu não sei nada sobre escalada, mas sei o quão difícil é esse esporte. Jusant talvez tenha me feito entender o quão recompensador pode ser conseguir chegar ao topo de algum lugar, que aqui é uma gigantesca torre de pedra. O cenário árido e misterioso traz o tom dessa história que é engrandecida pela beleza da natureza e dos biomas daquele lugar. Esse é mais um daqueles jogos que vale cada minuto que você ficou parado admirando a paisagem, os cenários e escolheu o ângulo certo para aquela foto incrível. Talvez essa seja uma das grandes recompensas de quem escala montanhas.

A direção de arte acertou a mão como poucas vezes vi esse ano. Se tivesse sido lançado antes, ou até mesmo em outro ano, muito provavelmente teria sido indicado a melhor direção de arte no próprio The Game Awards. O visual explora a iluminação de forma excelente e isso vai dar o tom dos cenários, que embora não tenham as texturas mais detalhadas da indústria, acertam demais ao mirar em uma estética mais glossy, com suavidade, e o resultado ficou muito agradável.


Enquanto você escala, criaturas peculiares e fascinantes vão cruzar o seu caminho. Eu adoro a visão de quem criou esses danadinhos. Me peguei algumas vezes parado e tentando encontrar o melhor ângulo da câmera para vê-los mais de perto. Eles são responsáveis por tornar aquele mundo mais vivo, já que nem a chuva cai ali mais. Um deles, inclusive, vai ser o seu parceiro de aventura.

Jusant não tem combate e nem inimigos, e isso é algo que me atrai muito. O ambiente é o grande desafio aqui. É inevitável citar que, de forma sutil, ele me lembra Death Stranding, que inclusive foi uma inspiração confirmada pelos desenvolvedores, transformando o ambiente no desafio e traz pitadas de Fumito Ueda quando usa o seu mundo para contar histórias, mesmo que não faça isso de forma tão corajosa quanto os jogos do diretor, já que aqui os cenários muito bem pensados são acompanhados de cartas deixadas ali que contam histórias de pessoas daquele lugar. Pessoas que moravam naquelas construções entranhadas na montanha e que partiram em busca de água com a crença de que só lá no topo seria possível encontrá-la.


A mecânica de escalada é ótima e traz pequenos desafios que vão sempre deixar a jornada interessante. Você vai utilizar os gatilhos do controle para se agarrar e algumas outras pequenas mecânicas são introduzidas aos poucos e vão deixando o momento a momento do jogo mais interessante, como a barra de energia que vai exigir que você descanse ou faça paradas com o auxílio de um mosquetão, que possibilita que você fique pendurado e se balance para alcançar novas estruturas escaláveis. Eu não quero falar muito das mecânicas, pois acredito que fazem parte da magia, do porquê esse jogo consegue te prender tanto e fazer com que sua ascensão seja tão agradável e instigante.

Sempre digo que jogos servem para que eu me sinta conectado com pessoas, ideias e histórias. Durante a bela e muitas vezes dura escalada em Jusant, acompanhada de uma belíssima trilha sonora, não foi só o protagonista que se conectou com a montanha. Eu, como jogador, recebi a mensagem dos criadores e me senti grato por mais uma vez experimentar algo fora da curva que, enquanto foca em ser, acaba acertando em satisfazer.




A análise foi escrita por Murilo (@Murilo_Valim)

A cópia digital do jogo foi cedida pela Don't Nod Entertainment

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