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Assassins Creed Black Flag Resynced - Análise


Um retorno

 

É fascinante voltar, depois de tanto tempo, a um dos títulos mais aclamados da série, agora refeito com o motor gráfico Anvil, que o transforma em um dos jogos mais bonitos desta geração com paisagens lindas e novos modelos para os personagens. Além do aprimoramento visual, o remake traz conteúdo inédito que aprofunda o desenvolvimento de personagens secundários do jogo original, esclarece algumas pontas soltas deixadas pela narrativa e apresenta novos personagens que ajudam a explorar diferentes facetas do período histórico e do próprio Edward Kenway.

        

Ainda que represente o passado, o remake busca incorporar elementos modernos da franquia, seja na forma como o combate funciona, mesclando conceitos do sistema original com uma cadência que se aproxima da vista em Assassins Creed Shadows. Essa abordagem não se limita ao combate, ela também está presente em aspectos do design e da exploração que são incorporados aqui desde o início. É difícil não enxergar traços dos títulos mais recentes da série, o que passa a impressão de que o jogo tenta, a todo momento, ser fiel ao original, mas sem abrir mão de diversas ideias e decisões de design introduzidas nos capítulos mais recentes da franquia.


O resultado é um remake excelente, baseado em um dos melhores jogos da história da Ubisoft, mas que, por vezes, se assemelha a um verdadeiro Frankenstein ao tentar conciliar abordagens e filosofias de design pertencentes a gerações distintas.

Uma vida alegre e curta

 

Black Flag sempre teve uma das melhores narrativas da franquia. A jornada de Edward Kenway, de um homem que não se importava com nada além de ouro para alguém que compreende seu lugar e seu propósito na vida, após inúmeras perdas e a verdadeira compreensão do credo, sempre foi um dos aspectos que mais ressoaram entre os fãs do jogo original. Aqui, isso não é diferente. Pelo contrário, essa jornada é ampliada pela forma como o remake desenvolve o novo conteúdo focado em alguns velhos e novos personagens secundários, aprofundando não apenas esses, mas também revelando novas facetas do próprio Edward Kenway.


Todo o elenco também é brilhante e entrega atuações excelentes, que vão desde o carismático e feroz Barba Negra até a misteriosa e companheira Mary Read, ajudando a transmitir a riqueza daquele mundo e de seu período histórico. Cada personagem também exala personalidade, e as interações entre eles são tão bem escritas que só fazem você querer ver a próxima cena com o grupo reunido.


No fim, é difícil não sair satisfeito com uma das melhores narrativas da franquia. O remake apenas apresenta novamente com um novo visual, um dos pontos altos da série em termos de escrita, em um nível que, infelizmente, a franquia ainda não conseguiu alcançar desde então.

Paisagens que são verdadeiras pinturas

 

É difícil sair deste título sem ficar maravilhado com a beleza de seus cenários. De mares extensos e ilhas paradisíacas a cidades como Havana e Kingston, não existe um único local que não demonstre um alto grau de esmero e cuidado em sua recriação, aproveitando ao máximo toda a tecnologia que o motor gráfico Anvil foi capaz de oferecer e que já havia impressionado no último título da série principal, Assassin's Creed Shadows.

 

O remake consegue entregar um dos jogos mais bonitos da geração atual, e isso fica ainda mais evidente em algumas das áreas finais, que contam com um trabalho de iluminação e direção de arte tão impressionante que, ao chegar pela primeira vez, a sensação é de estar diante de verdadeiras pinturas.

Um combate diferente

      

Aqui temos um combate com uma abordagem bem diferente da proposta do jogo original. Enquanto o título original tinha como foco observar o timing dos ataques dos inimigos para executar contra-ataques e assistir as animações de contextualização e finalização, em Resynced o combate se torna mais cadenciado e inspirado nos títulos mais recentes da franquia. O sistema de lock-on ganha importância, assim como a presença de habilidades de combate, ainda que simples, como chutar ou derrubar um inimigo, bem distantes das habilidades exageradas vistas em títulos como Odyssey e Valhalla.

 

Ainda que as mudanças possam parecer muito boas à primeira vista, o novo sistema de combate não necessariamente funciona como deveria, ainda que muito divertido até o fim do game. É fácil de trivializar boa parte dos encontros de combate com o uso do parry que é muito generoso e que após ser executado te oferece a opção de finalizar o inimigo, ainda que o próprio esteja com a vida cheia.

             

O combate em Resynced representa muito bem a tentativa de mesclar as diferentes abordagens de combate e design que o remake busca ao longo de toda a experiência. No entanto, essa combinação nem sempre funciona como deveria e, em alguns momentos, pode até se tornar caótica, especialmente quando o jogo coloca o jogador diante de grandes grupos de inimigos, em vários momentos até o sistema de lock-on não funcionando como deveria, tornando toda situação ainda mais confusa para o jogador.

  

No fim, embora o novo sistema de combate possa ser bastante divertido, a facilidade com que ele pode ser trivializado e o quão caóticos muitos dos confrontos acabam sendo tornam difícil enxergá-lo como um aspecto plenamente bem executado e que melhora o que o original já tentava fazer.

Navegando mares conhecidos

      

O ato de navegar e entrar em combate com seu barco em Black Flag já era muito bem executado no jogo original. Em Resynced, temos uma excelente adição de opções de personalização, além de mudanças sutis nos controles, na interface e na jogabilidade, que tornam todo o processo de enfrentar e derrotar os inimigos no mar uma experiência ainda mais divertida, fácil e dinâmica.

           

O grande destaque da navegação pelos mares é que o cenário não é apenas muito bonito, mas também muito mais presente e imersivo. As tempestades são mais frequentes, os raios podem atingir sua embarcação se você não prestar atenção, e os tornados são capazes de destruí-la em poucos segundos. Isso demonstra muito bem como trazer o jogo para a nova geração pode transformar um dos melhores aspectos do título original em algo ainda mais impressionante e pode-se dizer que até ajuda a justificar a existência do próprio.

Algo para chamar de lar


Uma adição bem vinda aqui é a forma que a área chamada de Grande Iguana é utilizada, nesse tipo de hub você pode personalizar o seu aposento com quadros e a exposição de suas armas, gerenciar sua frota, e aumentar o local com novos aposentos, além de comprar e aprimorar as armas e equipamentos da sua embarcação.

           

Em alguns momentos, você também pode encontrar novas side quests e interações que não existiam no jogo original, oferecendo uma boa dose de conteúdo extra que pode ser muito importante para a resolução de novos e antigos personagens.

Uma fenda com possibilidades


Temos aqui as chamadas fendas. Nelas, você encontra "what ifs" de eventos do jogo, como: "E se Edward decidisse se tornar um templário?" ou "E se Edward tivesse voltado para casa muito antes?". A ideia, por si só, é bastante interessante, e a própria Ubisoft já afirmou que essa foi a forma que encontrou para substituir os segmentos do presente presentes no jogo original.

  

Ainda assim, por mais interessante que o conceito seja, a forma como ele é utilizado aqui acaba sendo bastante decepcionante. Os segmentos colocam o jogador para percorrer corredores em uma simulação, enquanto uma voz narra, de forma monótona, o que poderia ter acontecido. Eles até tentam trazer alguma variedade a essas missões, colocando combate e stealth, mas o resultado é uma experiência da qual você só quer se livrar o mais rápido possível para voltar ao jogo principal.

Em um mundo sem ouro, nós poderíamos ter sido heróis

       

É difícil não sair totalmente satisfeito com o que este remake entrega. Mesmo que ele não siga a proposta de reimaginação adotada por títulos como Final Fantasy VII Remake e Resident Evil 2, ainda assim demonstra um enorme cuidado em preservar diversos aspectos que os fãs amavam no jogo original. Além disso, adiciona novos conteúdos que ajudam a expandir o universo, aprimora elementos da jogabilidade e apresenta novos personagens que podem se tornar tão memoráveis quanto os já conhecidos.


Por fim, Assassin's Creed Black Flag Resynced é um título memorável, tanto para aqueles que já jogaram o original quanto para quem embarca nessa aventura pela primeira vez, ainda que apresente algumas falhas, como a forma como conteúdos, a exemplo das fendas, são utilizados e a facilidade com que o combate pode ser trivializado. Ainda assim, é um jogo que reflete o que a Ubisoft conseguiu entregar de melhor em um período no qual estava em seu ápice criativo.





A análise foi escrita por Caio (@MrCaiopss)


A cópia do jogo foi cedida pela Ubisoft LATAM

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