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Need for Speed Unbound - Análise

O Retorno do campeão das ruas

Quem cresceu com o PlayStation 2 provavelmente tem um carinho especial por Need for Speed, seja pelos carros tunados e estética dominada por neons de Underground 2, seja pelas ruas ensolaradas e perseguições caóticas de Most Wanted. A questão é: NFS era um fenômeno. Infelizmente não podemos dizer o mesmo dos últimos anos, já que a franquia vinha sofrendo uma crise de identidade com algumas tentativas de replicar os dias de glória sem muito sucesso e com outros títulos tentando algo totalmente novo e mesmo assim seguindo o mesmo destino. E isso nos trás a Unbound, desenvolvido pela Criterion Games, publicado pela Electronic Arts e anunciado de uma forma tímida bem próxima do lançamento, o que gerou um certo receio. Felizmente, Need for Speed Unbound consegue dar um passo importante para a franquia e recuperar um senso de identidade ao mesmo tempo que resgata um pouco da nostalgia da era de ouro.

Vindo da perspectiva de alguém que está há anos longe da franquia e tendo somente testado os últimos títulos sem sentir motivação para continuá-los, Unbound desde o anúncio atraiu meu interesse puramente pela estética e pelos efeitos cel-shading que emulam arte de rua. O jeito que é implementado nos carros dando uma cara bem diferente do que temos no mercado foi uma ótima sacada, sendo algo que a todo momento enriquece a experiência dando mais sensação de velocidade e impacto. Havia um medo do excesso de efeitos atrapalharem a visão durante as corridas, mas isso não acontece, o jeito que foi implementado nunca fica no caminho. É certamente um dos maiores acertos desse jogo.

Unbound tem um foco até que grande em sua história, que apesar de não ser nada profunda e bem pouco engajante, serve como um bom contexto para as corridas. A trama gira em torno de uma traição: você como funcionário de uma oficina que está tendo problemas financeiros tem que ascender na cena das corridas de rua enquanto tenta ajudar seu chefe, que serve como uma figura paterna, a recuperar a fama de seu negócio. A estrutura segue o padrão desse tipo de jogo: explore o mundo aberto, completando desafios, caçando colecionáveis e disputando corridas para ganhar dinheiro e melhore seu carro para desbloquear corridas mais desafiadoras e repita o ciclo. Essa parte do jogo é bem balanceada e não cai no grinding exaustivo que é comum em jogos do gênero, mas não é tão fácil a ponto de desmotivar a completar as atividades.


O gameplay é bem calcado no estilo arcade, como é esperado da franquia. Controlar os carros é bem satisfatório e as corridas são bem caóticas com a interferência constante da polícia. Há um medidor de nitro que aumenta conforme você faz drift, desvia de outros carros e pega velocidade usando o vácuo do carro da frente. Ao terminar uma corrida, há uma chance da perseguição policial continuar, mas não é muito difícil de escapar, o que não quer dizer que não se deva tomar cuidado, pois se for capturado antes de ir para uma safe house, você perde o dinheiro que coletou.

Visualmente o jogo impressiona, não só pelos efeitos já citados, mas também graficamente. O modelo dos vários veículos presentes no game são bem detalhados e a pintura é bem realista, principalmente na chuva, onde a água escorre pela carroceria dando um toque a mais de realismo. O reflexo das diferentes paisagens e horas do dia também não deixam a desejar. A cidade no geral é bonita, mas é evidente que a maior parte do trabalho foi direcionada aos carros. A qualidade das texturas varia bastante e algo que poderia ser melhor é a vegetação, nas áreas menos urbanas é notável a disparidade na qualidade das texturas e o contraste com o modelo impressionante do carro não ajuda.


Algo que o jogo deixa a desejar é na sua seleção de músicas, só tendo uma rádio e as músicas repetem muito, com poucas horas já ficando enjoativa. Várias rádios distintas com gêneros diferentes iria melhorar bastante a experiência, principalmente por esse ser um dos aspectos mais celebrados dos jogos clássicos.


O modo online do jogo funciona de uma forma simples: você é colocado no mundo com vários outros jogadores e pode disputar corridas e explorar a cidade juntos. Infelizmente, o progresso da campanha não é levado para o modo online, desencorajando quem já está bem avançado no modo single-player.

Need for Speed: Unbound não é somente um grande passo na direção certa, é um ótimo jogo de corrida, com muita personalidade e boas decisões no seu sistema de progressão. Tem uma história simples, mas que cumpre seu papel como pano de fundo para as corridas. Peca em alguns elementos como a fraca trilha sonora e alguns cenários menos trabalhados que outros, mas no fim o que fica são as partes positivas e o sentimento de confiança com o futuro da franquia. Se você, como eu, já foi fã da série nas gerações passadas, Unbound pode ser o retorno perfeito.




Jogo disponível para PS5, Xbox Series X/S e PC.


Análise feita por Gustavo - @Ceythian


Cópia cedida pela EA Games.




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